Foto: Elvis Palma/Agora Laguna
 

A presidente da Fundação Lagunense do Meio Ambiente (Flama), Deise Daiana Xavier Cardoso, afirmou na manhã desta sexta-feira, 3, em entrevista ao programa ‘Rádio Revista’, da Rádio Difusora de Laguna (ouça no fim do texto), que os vazamentos de esgoto no Mar Grosso, eram uma “tragédia anunciada”. Para ela, não há dúvidas de que houve falha do sistema da Casan.

“Infelizmente vamos ter que resolver esse problema novamente. Era sim uma tragédia anunciada. A Flama estava no encalço da Casan, solicitando o plano de contingência e emergência e resposta formal quanto a possíveis entupimentos ou qualquer tipo de falha no sistema. A Casan diversas vezes nos garantiu que não haveria problemas”, afirmou a advogada, que disse ter colocado de plantão os fiscais da Operação Lacre Ambiental por ter previsto a possibilidade de falha.

A concessionária aponta que o problema foi ocasionado por entupimento das redes de esgoto. Segundo a nota oficial, as equipes encontraram “grande quantidade de materiais sólidos e identificaram a presença de muito óleo de cozinha na rede, que ao esfriar se transformam em grandes pedras de obstrução”.

Foto: Casan

Questionada pelo radialista Batista Cruz sobre como recebia a argumentação da Casan, Deise disparou: “Isso não é desculpa”. A presidente da Flama lembrou que no caso do entupimento do emissário submarino em dezembro de 2018, a companhia alegava que o problema eram as ligações irregulares, o que motivou o surgimento da Operação Lacre Ambiental. “[Por isso] Estamos com bastante conhecimento de causa para dizer que essa desculpa não cola. Não aconteceu como a Casan fala”, disse.

Na visão da advogada, a concessionária deixou a desejar na conservação das redes, já que em eventos anteriores à virada também houve vazamentos, e que, mesmo se comprovado que aconteceu o empedramento mencionado na nota de esclarecimento, a empresa teria a obrigação de instalar grades na rede, para impedir isso.

“Foi realmente falha no sistema. A responsabilidade é unica e exclusiva da Casan de dar manutenção adequada, tanto que nós multamos a concessionária. Não toleramos mais esse tipo de desculpa e esse tipo de menção de que é a população a culpada e de passar o problema sempre às pessoas. Nós, enquanto instituição e fundação do meio ambiente, não só não toleramos, como nós queremos a resposta formal”, acrescentou Deise.

Esse é o segundo ano consecutivo a Casan recebe uma multa da Flama. O valor da punição aplicada em 2020 é o mesmo do ano passado: R$ 2,9 milhões. “Queremos providências de formas bem corretas, bem clara, sem desculpas ou divagações”, pontuou.

Para Deise Cardoso, não há dúvidas que houve falha no sistema da Casan. Foto: Luís Claudio Abreu/Difusora/Agora Laguna

Lacre Ambiental

Completa nesta sexta-feira, 3, o primeiro ano da força tarefa Lacre Ambiental desencadeada pela Flama no início de 2019, para coibir as ligações clandestinas de esgoto na região do Mar Grosso e depois expandida para outros bairros da cidade juliana.

Segundo a Flama, foram vistoriados 469 imóveis e 25 multas aplicadas em valores que variam de R$ 7,5 mil a R$ 700 mil. “Realizamos um pente fino”, detalha Deise. Os fiscais vistoriam o sistema de esgoto completo como fossa, sumidouro, etc.

De acordo com a presidente da fundação, as adequações feitas estão corretas e cada imóvel tem um prazo para fazer as correções necessárias.