Foto: Fórum Setorial Negro
 

Uma reflexão sobre como os povos e a cultura africana foram importantes para a formação e desenvolvimento da identidade cultural do Brasil. Com esse lema, inicia no dia 17 a 3ª edição da Semana da Consciência Negra, em Laguna, que terá em sua programação atrações que refletem a diversidade das tradições afro.

“Essa é uma política afirmativa que a gente trabalha. Promovemos o ‘conhecer’ para poder ‘respeitar’ a cultura negra. Quando se fala nesse assunto, falamos da escravidão, mas não se comenta da enorme contribuição cultural que o negro trouxe para Laguna e que a cultura afro-brasileira se estabeleceu aqui contribuiu e de certa forma é parte da cultura lagunense como as outras etnias”, comenta a presidente da Fundação Lagunense de Cultura (FLC), Mirella Honorato.

A Semana da Consciência Negra foi idealizada em 1995, mas em Laguna existe desde 2005 por meio de lei municipal. Na opinião da professora Juliana Regazoli, essa ação não é só um momento de celebração, mas também de conhecimento, de visibilidade, e de luta pela liberdade e emancipação. Além de representar, em sua visão, momento de conscientização e de combate ao racismo velado ainda existente.

“A consciência negra fala dos povos que lutam pela liberdade, que lutam para que a escravidão acabe em todos os sentidos: a do pensamento; do trabalho; econômica; social; que todos os povos tenham direitos iguais, direito ao trabalho, ao estudo, ao lazer… A consciência negra fala sobre essa noção de quem somos enquanto povo brasileiro, um povo que tem referência de matriz africana muito forte”, frisa.

A cidade tem forte presença de inspirações da matriz africana, como destaca Juliana: “Temos a referência forte das escolas de samba, das religiões dessa matriz, da Igreja do Rosário, das bandas municipais que eram formadas, principalmente, por homens negros, e também a formação do Centro Histórico”.

Manifestações religiosas e culturais em destaque

A programação será aberta com a 27ª edição do Zumbi Afro, que celebra a figura do quilombola Zumbi dos Palmares, e é promovido pela Pastoral Afro. É a primeira vez que o evento chega à Laguna, e na cidade será coordenado pela Paróquia São Pedro Apóstolo, em Cabeçuda.

O evento tem dez horas de duração, começa às 8h e se estende até às 18h, de domingo, 17. Segundo o padre Bantu Mendonça Katchipwi Sayla, pároco de Cabeçuda, a programação do Zumbi Afro tem como foco o lema “Existe uma história do povo negro sem o Brasil, mas não existe uma história do Brasil sem o povo negro”.

Dentro da valorização do credo africano, um dos destaques está para a Parada contra Intolerância, na manhã de sábado, 23. Na visão do babalorixá Fabrício Santos, os dois momentos são importantes por dar voz à uma luta histórica pela valorização das tradições afro. “Para nós, umbandistas, a luta e a resistência são constantes, todos os dias, lutando contra a intolerância religiosa e mostrando a cultura afro, que é muito importante”, destaca.

Na terça-feira, 19, uma missa afro será realizada na Igreja Matriz Santo Antônio dos Anjos, celebração que vai contar com a presença da imagem de Nossa Senhora do Rosário. Pesquisadores como Alice Bertoli Arns, autora de ‘Uma epopeia de bandeirantes e franciscanos’ (Grafipar, 1975), dizem que a estátua preservada na igreja Nossa Senhora Auxiliadora, no Progresso, era a que estava entronizada na Igreja do Rosário, construída por escravos no século XIX e demolida em 1932.

No grupo de manifestações culturais, exposições artísticas, oficinas de atabaques e apresentação do grupo Líricas Negras, no Cine Mussi, são previstas para a semana afro em Laguna.

Um sarau de ogãs na Casa Pinto d’Ulysséa vai destacar a tradição das religiões de matriz africana. Em um culto umbandista, o ogã é responsável por tocar os instrumentos musicais. Ele não entra em transe, mas tem uma função importante, pois é através de seu toque que os orixás incorporados fazem as tradicionais danças.

Programação

  • 17 de novembro

8h às 18h – 27º Zumbi Afro, na paróquia São Pedro Apóstolo, em Cabeçuda. Na programação: missa afro, palestra, feijoada e roda de samba.

Exposição Negros Libertos, de Matheus Guimarães Goulart, na Piazza Pizzeria, Centro Histórico.

  • 19 de novembro

9h30 às 10h30 e 14h às 15h30 – Contação de histórias e exposição de livros na Casa de Cultura do Sesc, com temática cultural afro-brasileira.

19h – Missa afro na Igreja Matriz Santo Antônio dos Anjos, com a imagem de Nossa Senhora do Rosário.

  • 20 de novembro

9h30 às 10h30 e 14h às 15h30 – Contação de histórias e exposição de livros na Casa de Cultura do Sesc, com temática cultural afro-brasileira.

20h – 2º Sarau de Ogans, na Casa Pinto d’Ulysséa.

  • 21 de novembro

9h30 às 10h30 e 14h às 15h30 – Contação de histórias e exposição de livros na Casa de Cultura do Sesc, com temática cultural afro-brasileira.

14h – Oficina de confeccção de bonecas Abayomi. Inscrições: (48) 3646-2542. Local: Ceres/Udesc.

16h – Palestra: Dialogando sobre interseccionalidade e BNCC (Base Nacional Comum Curricular). Local: Ceres/Udesc.

18h30 – Seminário itinerante NEAB/Udesc. Local: Ceres/Udesc.

  • 23 de novembro

10h – Parada contra a intolerância, com atabaques e rezas, rodas de capoeira, e exposição de livros na Coruja Buraqueira. Local: Praça República Juliana.

14h – Oficina de ritmos e atabaques, com o professor mestre Luciano Candemil, na Casa Candemil.

20h – Show Líricas Negras, no Cine Mussi. Entrada gratuita.