Foto: Elvis Palma/Agora Laguna/Arquivo
 

Uma postagem da secretária municipal de Assistência Social e Habitação, Tanara Cidade de Souza (PT), feita em seu perfil pessoal no Facebook, gerou polêmica neste domingo, 8. No texto, a gestora diz que não consegue mais ver pessoas usando o verde e amarelo – cores das bandeiras brasileira e lagunense – por estar lhe causando “ranço”.

O comentário feito por Tanara acontece um dia após o feriado da Independência e dias depois de o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL) ter incentivado a população a usar vestimentas nas cores do pavilhão nacional durante as passeatas e comemorações alusivas ao 197º ano da proclamação da Independência.

Não demorou para que a postagem repercutisse não só na rede social em que foi feita, mas também em grupos de conversa no aplicativo WhatsApp. “O direito das pessoas em se vestirem de verde e amarelo é legítimo e democrático. Comece aprendendo a respeitar as diferenças, fica a dica, é de graça”, escreveu um usuário do Facebook em resposta à gestora.

As respostas chegaram a sugerir que ela deveria pedir exoneração do cargo ocupado na gestão de Mauro Candemil (MDB), assim como se mudar para países em que há governos de orientação socialista. Até a publicação da reportagem, a postagem tinha recebido mais de 400 comentários – a maior parte criticando o conteúdo e contendo fotos de Bolsonaro –  e tido pouco mais de 10 compartilhamentos.

Reprodução de Redes Sociais

‘Tenho todo direito de expressar a opinião’

Por telefone, em entrevista ao Portal Agora Laguna, Tanara afirmou categoricamente que fez a postagem como cidadã e que tem, como todas as pessoas que responderam ao seu comentário, o direito de expressar sua opinião. Ela afasta a fama de anti-patriótica dizendo que fez seu comentário como crítica irônica àqueles que têm se apropriado das cores da bandeira de maneira hipócrita.

“Não sei de que forma que as pessoas estão vendo. Não estou me referindo a todas as pessoas e nem à uma relação direta com símbolos. Eu falo de pessoas mal-intencionadas, hipócritas, que se utilizam do verde e amarelo para plantar uma imagem que é falsa. A ideia do meu comentário é fazer as pessoas refletiram que nem tudo aquilo que se apresenta é”, afirma. “Quando você vê uma pessoa que mente, usurpa, sonega, é hipócrita, que faz alguma coisa por trás e outra pela frente, e veste verde e amarelo para dizer que é bonzinho, isso para mim é hipocrisia. Acho que defender um país, a bandeira, as nossas riquezas… está muito além de botar um terno verde e amarelo e sair pulando pela rua dizendo que é brasileiro e que ama seu país”, pontua.

Sobre os comentários que pediram para que fosse para Cuba ou Venezuela, países em que há governos de esquerda, ela ironiza: “Cada um deseja para o outro o que tem. Hoje temos outras opções para ir, tem a França e Alemanha”, em referência às nações europeias que ofereceram ajuda e propuseram debater a situação da Floresta Amazônica e receberam negativas do Palácio do Planalto.

Apesar de vários comentários terem pedido sua exoneração, inclusive com a criação de hashtag sobre isso, a gestora diz não temer sua demissão do cargo que ocupa na administração municipal. Para ela, a decisão cabe ao prefeito.

Tanara disse que não irá apagar a postagem: “Tenho todo o direito de expressar a opinião e as pessoas, de discordar. Não quero com isso dizer que todos têm que pensar igual à mim, mas sim que refletissem [sobre]”.

Polêmica envolvendo cores não é nova

Em 2016, durante a campanha eleitoral em que concorreu para o cargo de prefeita, Tanara foi alvo de críticas por ter ‘escondido’ a cor oficial do Partido dos Trabalhadores (PT) o vermelho. Os materiais de divulgação usados pela sua coligação não traziam em nenhum momento referências à identidade visual da sigla, sem nem exibir a estrela, símbolo intrínseco da legenda.

À época, em diversos comícios, tanto Tanara quanto seus apoiadores, disseram que a escolha de cores distintas às do PT era para reafirmar a figura feminina. A campanha da atual secretária de Assistência Social e Habitação foi baseada em tons de rosa e roxo – em 2008, essa mesma tonalidade havia sido aplicada por ela nos santinhos e adesivos da eleição para vereadora.