Foto: Elvis Palma/Agora Laguna
 

Construída em 1711, a residência da família Martins que fabricava vestidos de noivas e permitia que as jovens usassem um de seus cômodos para que se arrumasse para o casamento, entrou para a história por ter sido ali o local onde a guerreira Anita Garibaldi, em 1835, se vestiu para seu primeiro casamento com o sapateiro Manoel Duarte de Aguiar.

A edificação foi tombada pelo patrimônio histórico em 1978 e transformada em relicário com a recriação de um cenário de época, mostrando como eram as casas no século XIX. Fechada para reforma há um ano e três meses, o local foi reaberto ao público na tarde de sexta-feira, 30, em solenidade que contou com a presença da população local e autoridades locais, estaduais e nacionais.

Muitos moradores comemoraram o retorno da Casa de Anita ao cenário turístico do município. “Para mim, é uma alegria rever o prédio, ainda mais agora modernizado. Quando venho aqui respiro a história”, diz a lagunense Silvia de Souza, que acompanhou a cerimônia em meio à multidão que aguardava para conhecer o acervo. Quem entrou na Casa de Anita antes da reforma conheceu ela como relicário, quem entrou depois vai conhecê-la como museu.

A reorganização do acervo faz parte de uma ação para contar a história de Anita Garibaldi em um só lugar. “Laguna é uma cidade que o Iphan vem investindo pesadamente no turismo e no patrimônio. A recuperação da Casa de Anita tem vários aspectos como o do simbolismo da mulher guerreira, que lutou pela liberdade de dois países, por tudo o que ela representa como heroína para a população brasileira. É um trabalho de recuperação da memória para mostrar o que foi o espírito de Anita para as futuras gerações”, comenta a presidente nacional do Iphan, Kátia Bogéa.

Para o ministro da Cidadania, Osmar Terra, que esteve presente no evento o ato foi um dia histórico. “Ela foi uma mulher extraordinária. Para o Brasil, contar e falar da história de Anita é uma referência de como temos pessoas extraordinárias, que às vezes passam desapercebidos”, define.

A obra foi feita pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) com recursos de pouco mais de R$ 610 mil. A visitação está aberta ao público, gratuitamente até o dia 02 de setembro. Após, para conhecer o acervo, o visitante pagará R$ 6.

Foto: Elvis Palma/Agora Laguna

Rosa de Anita é plantada em Laguna e em Tubarão

No mesmo dia da reinauguração do museu, o híbrido Rosa de Anita, criado pelo botânico italiano Giulio Pantoli (1922-2018) foi plantado em Laguna e em Tubarão. Antes das duas cidades, o mesmo plantio aconteceu em Imbituba no dia anterior.

“Esse plantio mostra que demos a largada nas comemorações [dos 200 anos]. Essa é uma oportunidade que temos para reescrever e contar a história de Anita, uma mulher que em tão pouco tempo conseguiu uma notoriedade mundial”, comenta o prefeito tubaronense Joares Ponticelli (PP).

Para o historiador e escritor Adílcio Cadorin, o plantio da rosa é extremamente positivo já que atraiu olhares da Itália e do Uruguai, que enviaram delegações para Laguna. “Isso mostra o quanto Anita é respeitada e homenageada aqui. O efeito maior será a longo prazo, pois está despertando a grande consciência de que Anita pode se transformar e deve se transformar no instrumento para desenvolver a nossa economia e o turismo”, frisa.

Veja o momento do plantio, em Laguna, abaixo: