Foto: Luís Claudio Abreu/Agora Laguna
 

“Entristece ver um prédio como esse, que poderia ser usado, quem sabe, nos desfiles do 7 de setembro”, diz Pedro Silva, morador do Campo de Fora. Ele se refere ao sambódromo Hindemburgo Moreira, inaugurado em 2007 pelo governo do estado, para servir de local para a realização dos desfiles das escolas de samba de Laguna.

Menos de sete anos após a inauguração, o local deixou de ouvir o batuque das baterias e o sambar das passistas. O espaço já foi utilizado das mais variadas formas, servindo de sede para a extinta Agência do Desenvolvimento Regional de Laguna (ADR), hoje reduzida à uma unidade de atendimento, à Acustra e para o Centro de Educação de Jovens e Adultos (Ceja). A Udesc Laguna mantém algumas salas em funcionamento na estrutura.

Nesse leque de utilidades, a mais recente é ser depósito de veículos inutilizados do governo estadual. Alguns dos quais, integravam a frota da ADR, quando o órgão ainda era considerado secretaria. O cenário visto nas dependências do sambódromo é um exemplo do descaso com o erário público.

Portal Agora Laguna procurou a administração municipal e representantes do governo catarinense para entender a situação que acontece há alguns metros do Centro Histórico, distante dos olhares mais atentos. “Com a desativação da ADR-Laguna e depois a de Tubarão, não sei quem responde pelos prédios do Estado. Já registrei na Secretaria de Administração de SC e ao deputado estadual Felipe Estevão a situação de abandono e sem gestor do sambódromo, da demolição do prédio do CSU (que é do estado), destinação e vigilância do terreno da ex-Codisc, etc”, afirma Mauro Candemil, prefeito de Laguna.

Sobre a situação, Estevão (PSL), diz que deverá discutir em breve o assunto com o governador Carlos Moisés e com o chefe do executivo lagunense. “Estou marcando uma reunião com o governador, onde eu e o prefeito Mauro vamos falar da situação do sambódromo. Não é minha prioridade número um, mas está no nosso radar e o que estiver ao alcance para lutar por essa estrutura, lutaremos”, destaca.

Remanescente da última reforma administrativa realizada na gestão tampão do ex-governador Eduardo Pinho Moreira (MDB), a Unidade de Atendimento de Laguna, criada para gerir a situação das divisões da extinta ADR, que permaneceram em funcionamento na cidade, é o único órgão estadual que continua no sambódromo.

Olga Júlia dos Santos, responsável pela unidade, afirma que, de quatro carros oficiais encontrados no estacionamento do local, apenas dois estão parados e que os outros seguem sendo utilizados pela coordenadoria. “A responsabilidade dos carros que ali se encontram é da ADR de Tubarão. A mesma não possui pátio. Em contato com a SED [Secretaria de Estado da Educação], pedi para que venham retirá-los e posteriormente após reparos será feita doação para outra Gered [Gerência Regional de Educação] que não possui veículo”, explica.

A remoção dos carros não tem prazo para acontecer, pois depende, segundo Olga, de processos junto à pasta da fazenda e administração do governo catarinense. Ainda de acordo com a coordenadora foi iniciada a tomada de orçamentos para a realização de uma limpeza geral interna e externa no sambódromo, com retirada de possíveis locais onde possa haver acúmulo de água, remoção de estruturas metálicas danificadas, entre outros itens. Os trabalhos devem ser realizados em breve.

Veículos municipais seguem à espera de leilão

A situação dos veículos inservíveis não atingem só o Estado: o município possui uma frota com dezenas de automóveis leves e pesados retirados de circulação que se tornaram inúteis ao longo do tempo.

“Infelizmente quando assumimos a gestão, boa parte dos carros estavam sucateados. Estamos juntando os documentos para fazer a alienação. Conseguimos a aprovação na Câmara e eles serão leiloados”, explicou Candemil, em entrevista ao jornal Notisul, de Tubarão, em março do ano passado. A frota sucateada estava depositada até alguns meses atrás nos fundos da biblioteca municipal e está sendo removida aos poucos para o sambódromo.

O governo municipal tentou recuperar os automóveis, mas desistiu pelos altos custos, relata Valéria Olivier, secretária de Saúde em uma rede social. “Quando assumimos, o primeiro ato foi tentar recuperá-los, mas os preços são de um carro novo. Quem vê por fora pensa que faltam poucos reparos, mas tem carro desses que só tem a lataria. Foram tirando peças e colocando em outros”, afirma. Alguns dos veículos eram pertencentes à frota da pasta da Saúde – ambulâncias retiradas de circulação e mais tarde adaptadas para servir como veículo de carga integram o lote de bens inutilizados.

“Os carros foram colocados no pátio da antiga ADR, pois temos de juntar tudo de inservível no menor espaço possível por conta do leiloeiro. O leilão não se resume apenas aos veículos e máquinas, mas tudo o que não é usado pelo município, como móveis e lixo eletrônico, por exemplo”, explica Luciana Fernandes Pereira, secretária municipal de Administração e Fazenda.

Segundo a prefeitura, a venda pública dos bens segue sem data para acontecer, o que deve ser definido após o credenciamento do leiloeiro – 25 concorrentes se inscreveram no chamamento público terminado no último dia 06.

O depósito no sambódromo foi autorizado pelo governo estadual, afirma Luciana. O processo de leilão foi iniciado por um projeto de lei na gestão de Everaldo dos Santos (2012-2016), mas a matéria não chegou a ser votada no Legislativo lagunense. A mesma iniciativa foi apresentada pelo Executivo em 2017 e aprovada no ano seguinte.

Desde o início da nova gestão, há mais de dois anos, a administração conseguiu por meio de doação quatro carros e, com recursos próprios, conseguiu adquirir seis veículos para integrar a frota municipal.